O IMPÉRIO APOSTA NO CAOS PERMANENTE E PARA ISSO PRECISA DERROTAR O IRÃ
A marinha dos EUA protege a sua moeda como a frota britânica impunha a libra esterlina asfixiando a economia mundial
Bruno Lima Rocha Beaklini
Pela segunda vez o presidente do Império, Donald Trump, rasga pela segunda vez os termos do memorando de entendimento assinados após o fim da guerra de Ramadan, que durou 40 dias, iniciada no sábado 28 de fevereiro deste ano. Antes, em duas rodadas de negociações diplomáticas, em 2025 e 2026, levou ao escárnio as conversas entre as equipes de alto nível do Irã e o lado estadunidenses, onde a “diplomacia gringa” é formada por parceiros de negócios, associados da família do mandatário suspeito de pedofilia.
O ex-apresentador de programas de TV cujo maior mérito era promover o assédio moral contra a classe trabalhadora, declarou que havia decidido pelo ataque direto à República Islâmica - em conjunto com a colônia sionista apelidada de Israel - trinta dias antes do anúncio do acordo não cumprido. O chanceler de Omã - negociador-chefe - foi a público na TV aberta dos EUA anunciar que a paz estaria selada na terça-feira 03 de março. No programa Meet the Press, da rede NBC, o chanceler de Omã Seyyed Badr bin Hamad Al Busaidi afirmou na sexta-feira 27 de fevereiro que o acordo estava pré-assinado. Não sabia ele que o genro de Trump, Jared Kushner e o criminoso de guerra Benjamin Netanyahu, já haviam convencido ao membro da Gangue de Epstein da agressão militar contra o Irã.
O que quer o Império? O caos.
Porque a “ordem” pós Guerra Fria seria a absoluta hegemonia dos EUA tendo a China e a costa Ásia Pacífico como plataforma de manufatura e o eixo financeiro Nova York - Londres como o centro da dominação, tendo o dólar gringo como moeda de reserva e meio de troca básico do comércio internacional. Após a reação chinesa com a possibilidade de crise especulativa derivada da bolha imobiliária de 2008, simplesmente o mundo vem sendo modificado, principalmente através da ordem econômica.
A marinha dos EUA protege a sua moeda como a frota britânica impunha a libra esterlina asfixiando a economia mundial, forçando os territórios não europeus a serem fornecedores de matéria prima com preço rebaixado. A meta do Império - através dos métodos grotescos de Trump – me parece ser um plano combinado:
- causar inflação na economia asiática, buscando ao menos atrapalhar a expansão do desenvolvimento continental chinês;
- gerar uma guerra de desgaste contra o Irã, tentando derrotar a República Islâmica no médio prazo e prejudicando o orçamento nacional;
- operar como força extratora, tributando pela força militar, impondo condições às economias ascendentes, gerando um custo de adesão ao BRICS, prejudicando arranjos regionais e continentais;
- meta permanente: manter o dólar como moeda corrente e de reserva do comércio mundial.
A projeção de poder para a América Latina é mais brutal e explícita. Para as demais metas (visíveis), o ponto fundamental é tentar derrotar o Irã, objetivo que não será alcançado.
Bruno Lima Rocha Beaklini é jornalista da HispanTV Brasil, doutor em ciência política, tem pós-doc em economia política internacional e é professor de relações internacionais

